Shows de Verão
Muitos shows acontecendo na cidade neste verão. No centro e na praia, multidões acompanham os artistas locais e nacionais. Fui ver Egberto Gismonti no centro histórico. Imitando Caetano, ele deu um piti por causa do som e do barulho do local. Estranho, né? Sempre achei que um artista como Egberto Gismonti, um dos maiores instrumentistas nacionais, deveria se apresentar num local acústico, de boa qualidade e não num local montado para bandas de rock. Deve ser minha aristocracia falida que me leva a pensar assim. Depois, já na praia fui ver outro artista nacional: Arnaldo Antunes. Que coisa mais chata! Uma voz horrorosa. Ele bem que poderia ficar só compondo pros tribalistas e me poupar daquela voz sem futuro.
Tá bom, tá bom, vamos assistir Marisa Monte. Entrei num shopping center em pleno sábado e vi milhares de pessoas escrevendo algo em vários locais. Pensei: que legal, que virada! Finalmente a população que freqüenta shoppings está ficando culta e escrevendo. Decepção. Estavam desesperadamente escrevendo seus nomes e alguns cupons para ganharem um carro importado. Mais difícil que ganhar na Mega Sena. Após alguns empurrões nos corredores, cheguei à loja que vendia os ingressos pro show de Marisa Monte. Achei muito barato. Finalmente a cultura da MPB acessível a muita gente. Depois de algumas escoriações leves e muitos gritos, consegui sair do shopping vivo. Fui almoçar num famoso restaurante daqui e fiquei impressionado com a barulheira. O povo berrava enquanto comia. Sei que estou ficando velho e abusado, mas a noite iria compensar.
O show estava marcado para às 8 horas. Cheguei bem antes e vi que a coisa iria ferver mesmo. Muita gente. Como eu pensei: a cultura se democratizando... Quando entrei no Espaço Cultural, vi que a coisa era bem diferente. Um grande retângulo tomava a maior parte do espaço da Praça do Povo (hahahahahaha). Opa! Algo estava errado. Era o espaço destinado a quem tinha comprado mesas. Nada contra quem quer assistir ao show sentado, mas tudo contra à diferença entre os espaços de quem estava sentado e quem estava
Ainda incitei algumas pessoas a pularem a cerca e prestigiar a cantora de pertinho. Mas quando os produtores do show viram que aquilo poderia realmente acontecer, liberam o primeiro piso do Espaço Cultural e a galera correu pra ver a cantora de perto. Invasões bárbaras no camarote VIP (Vultos Imensamente Pobres). Agora já se sabe como burlar a lei. Ou shows no Paço dos Leões (pobres nem ousem!) ou privatização do Espaço Cultural. Lembro-me do show de Rita Lee, que fizeram a mesma palhaçada e a própria Rita, louca como é, pediu que as pessoas pulassem a cerca e se chegassem mais a ela. Idem no show de Milton Nascimento. É claro que se pode colocar mesas para aqueles que realmente desejarem mais conforto. O que não se pode é ocupar 60% do espaço popular da praça com as mesas!
Que pena que nossa passividade seja confundida com docilidade. Na verdade nossa docilidade é falta de cidadania, falta de coragem pra avançar numa democracia que permita que aqueles que têm direito à meia entrada o exerçam plenamente. Aliás, vamos imitar Pernambuco e fazer valer a meia entrada também para professores, agentes disseminadores da cultura, uma vez quando têm acesso e esta!
Enquanto isso num Reveillon fora-de-época
Na virada de 2006 para 2007 não pulei ondinhas, não chupei uvas, não me vesti de branco, não fiz pôrra nenhuma. Mas fui pra praia ver os fogos do ano novo. Por volta das 11:50 o mestre de cerimônias da festa avisou que os fogos tinham sido roubados. Fazer o quê, né?
Mas logo, logo começaram os rumores. A oposição era o grupo mais suspeito. Mas vamos ao que interessa mesmo. Às 15:45 do dia 31 de janeiro de 2006, uma estranha embarcação foi vista se aproximando de picãozinho. Era um submarino com as cores vermelho e preto e um estranho nome nas laterais: NEGO. Muitos turistas pensaram que era um submarino da torcida do Flamengo. O movimento negro, por sua vez, imaginou que era uma forma de protesto, de chamar a atenção para sua causa. Alguns recifenses de passagem
Algumas senhoras de famílias tradicionais de Tambaú chegaram a suspeitar de Odete Roitman aliada a Marta da novela Páginas da Vida. As senhoras da Igreja Vem pra Cristo, Galera juntamente com as Sociedade Feminina de Bebedoras de Vinho Doce colocaram a culpa em Iemanjá, deusa pagã que circula por estas bandas todo final de ano. Sem fogos e com Zeca Baleiro tentando cantar algo de futuro a festa aconteceu.
Eis que uma semana após as festividades, se anuncia que uma nova queima de fogos iria acontecer antes da apocalipse anunciada por Zé Ramalho ressuscitando temas do século passado. Uma grande equipe da FUNJOPE passou a semana fazendo um curso de mergulho submarino e Jiu-Jitso subaquático. Pit Bull ferozes acompanhavam os treinos nadando ao redor da balsa dos fogos. 312 homens-rãs, 21 escafandristas e 10 wave-skiadores comandados pelo atleta campeão de remo André Beltrão passaram 24 horas vigiando a balsa, temendo um novo ataque do submarino suspeito. Um helicóptero da Aeronáutica fazia rondas a cada duas horas. O batalhão de choque cercou a praia não deixando ninguém se aproximar do Bucho de Tamandaré. Deu tudo certo e às 22 horas o céu se coloriu numa explosão de cores e formas, inaugurando o Mikaillon – Reveillon fora-de-época – de João Pessoa.
Drink Mikaillon:
1 copo de cidra de 5 real
1 meiota
1 engov
1 lactopurga
Misture tudo e feliz 2007!
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