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Acessem e enviem para seus inimigos!
SOS assalto

Caro León,

Estava jantando num famoso restaurante aqui da capital e fui assaltado.  Os assaltantes levaram até a minha aliança de casamento.  Pior: eu estava com a outra neste jantar.  Que farei agora?  Como evitar esta onda de violência?  Já não posso nem sair com meu Civic Honda com medo de ser roubado.  Até a minha esposa tem medo de sair com sua bolsa Louis Voitton (é assim que se escreve?).  Que conselho o senhor me dá?

SOS viagra

Caro León. Vamos por partes! Me chamo Janduy, tenho 46 anos e estou com um problema. Sou um homem bem sucedido, trabalho com empréstimos pessoais junto ao funcionalismo público que me traz um retorno financeiro interessante, possuo imóveis aqui na cidade e uma bela caminhonete. Tenho um casamento de 25 anos e três filhos, um deles de um outro relacionamento, mas isso não vem ao caso agora. A questão é que, mesmo sendo um cara com uma vida estável, também esqueci de dizer que as minhas duas filhas estão na universidade, não consigo mais ter um desejo pelo sexo como antigamente. Pra mim é difícil dizer isso e assumir. Faz muito tempo que não tenho interesse pela minha mulher e a recíproca dela por mim também é essa. O que você acha León? O que posso fazer para apimentar nossa relação? Abração! Janduy Costa

Caro Janduy:

Primeiramente, gostaria que o senhor visitasse os seguintes sites: www.fimdopaumole.catuaba.com.br e www.levantadefunto.garrafada.com.br. Em algum destes sites o senhor vai encontrar uma série de remédios naturais que podem ajudar a este seu garoto sonolento.  Inclusive há uma boa promoção de Viagra e Cialis. Aproveite que o senhor anda extorquindo os funcionários públicos e empregue esta grana num investimento concreto...   Deve ser muito bom fazer empréstimos para uma categoria que consegue ficar dois, três meses em greve, de papo pro ar e ainda ganhando dinheiro.  Acho que o senhor tem uma função social das mais dignas deste país: repassar o dinheiro público pago ao funcionalismo para um ser carente como o seu bilau.   Gostaria também de lhe dizer que há uma estreita relação em novos ricos que têm caminhoneta e o tamanho do pênis.  Segundos estudiosos do MIT, quanto maior a caminhoneta, menor é o pau do indivíduo.  Daí eles dirigirem com tanta fúria, querendo mostrar no trânsito a potência que não têm na cama.  Freud aplicado à classe média ascendente tupiniquim.   

Sua mulher deve está cansada de subir na sua caminhonete de dia e ficar esperando a bomba de gasolina funcionar de noite.  O senhor corre sérios riscos dela lhe trocar por um vizinho que tenha um celtinha que engate de primeira, e mesmo sendo 1.0 não amoleça nas subidas. 

         Nada como uma reposição de peças neste seu caso.  Abandone suas reuniões do Rotary Club e passe a freqüentar um grupo da melhor idade.  Mesmo tendo 46 anos e estando fora da melhor idade (que se situa entre 30 e 40 anos), o senhor e sua patroa vão gostar de ver como as pessoas idosas têm se renovado nestes clubes, se alimento da Síndrome de Peter Pan.  Esta síndrome, muito benéfica, faz com que os indivíduos se recusem a crescer e mesmo sendo coroas, se comportem como adolescentes em início de carreira.  Vale a pena tentar.  Outra boa escolha seria participar de um clube de swing (troca de casais), a fim de verificar se a questão é com a sua patroa ou se o seu pinto não responde mais a nenhum estímulo exterior. Um clube sado-masoquista poderia ser uma tentativa drástica, pois tanto o senhor poderia bater na sua mulher (por vários motivos), quanto ela poderia lhe massacrar pelos anos de abandono.  Tenha apenas cuidado para não procurar um clube de funcionários públicos, pois não só seu bilau estaria comprometido, mas também sua integridade física geral.

         Boa sorte!

 

SOS chapinha

Mestre León,

Ando muito preocupada com minha filha.  Completou 15 anos e resolvemos dar um presente a ela: uma festa chiquérrima numa das melhores casas de recepção da cidade e uma viagem à Disney.  A menina rejeitou ambos.  Não quer fazer chapinha no cabelo,  não quer usar salto alto.  Além disso, não quer comer comida japonesa com palitinhos amarrados na borrachinha, se recusa a aparecer nas colunas sociais e namora um estudante de matemática.  Desistiu do curso de Direito para cursar Artes Gráficas.  O que faço? (Maria Ângela Pessoa Dutra)

 

Cara senhora:

 

Sua filha é mesmo um caso perdido.  Se for filha única, pobre mãe.  A senhora deve estar se sentindo a última das mães, tendo uma filha tão destrambelhada.  Uma viagem à Disney é um programa imperdível, principalmente se a senhora for uma nova-rica e pretendesse  que a menina trouxesse  um monte de bugigangas  made in China de Miami.  Aconselho que a senhora vá  à rua 25 de março em São Paulo e faça a feira por lá mesmo. Quanto à festinha, acredito que era um sonho seu, que deve ter tido uma infância miserável e agora que superar suas frustrações de pobre numa festa de bacana do interior.  Sua filha deve ser um ser muito infeliz em conviver com a senhora e com seu marido. Se a mocinha não quer fazer chapinha no cabelo isso se deve ao fato dela ter percebido que a mãe já derreteu o juízo de tanto secador nos cabelos estirados à força e o Sato alto lembra a amante do seu marido que, cá entre nós, está certíssimo em lhe trair. A senhora está precisando de uma terapia urgente.  Este seu desejo de ter uma filha juíza deve-se ao fato da sua vida ser uma roubalheira só, com um inexplicável padrão econômico que nem o namoradinho matemático dela saberia explicar.  Deixe a menina em paz, velha sem-vergonha.  A menina vai ser grafiteira de muros numa tentativa radical de se safar das irmãs patricinhas, do irmão apagado pelo pai analfabeto que o obrigou a estudar Direito numa faculdade particular em dois anos.  Creio poder ter lhe ajudado neste conflito tão sério.  Boa sorte!

FALE COM O MESTRE LEÓN


Amigos leitores:

Este blog está muito "cabeça".  A partir de agora, levando em conta os movimentos de auto-ajuda e SOS on line, o blog vai ter o papel de ajudar aos leitores desesperados por seus conflitos existenciais, cármicos, financeiros, sexuais e toda sorte de nóias que vem com tudo isto.  Escreva nos comentários suas dúvidas.  Isto visa me tornar alguém famoso e quem sabe milionário.

Se a verdade não vos libertou, nem conte comigo!

Escrevam já!

ABAIXO A OMOSSEXUALIDADE!

Vamos então à polêmicas dos pastores da VINACC – Visão Nacional dos Ativistas Contra o Cu, Projeto Jonas – Religiosos que adoram ser comidos por indivíduos tamanho baleia e um segmento católico EDMEGM – É dos Meninos que Eles Gostam Mais que estão lutando desesperadamente contra os gays, lésbicas, simpatizantes, travecos, travados, tarados, taludos, surubeiros e outras siglas que não me vêm à cabeça agora.  Outdoors, passeatas, cartas, manifestos e manifestações.   

Eu tenho a solução para tudo isso: vamos acabar com o conceito de homossexualidade e criar o conceito de omossexualidade.  Isso.  A omossexualidade é um mal que deve ser combatido por toda raça humana.  Explico-me.  Omossexual é aquele sujeito que adora transar com caixa de sabão em pó, fazer suruba numa piscina de espuma de sabão em pó, andar sempre limpinho com roupas lavadas com sabão em pó.

A questão é que no movimento anti-gay evangélico há muitos omossexuais.  Aqueles pastores em dia de culto de paletós engomadinhos, de cabelo igualmente engomadinho são todos omossexuais.  Colocam suas esposas e domésticas-de-cama para lavarem seus trajes domingueiros com sabão em pó. O sabão em pó, ao entrar em contato com o pênis faz com que este vibre numa freqüência muito alta e os caras saem transando nos bastidores com as fiéis, com os fiéis e também com alguns infiéis que traem os maridos e esposas quando vão pro culto orar.  Entre os católicos, o contato com o sabão em pó transforma os padres e fervorosos católicos em omossexuais também.  Nestes, graças aos efeitos alucinógenos das músicas do Padre Marcelo Rossi, o contato da pele com o sabão em pó leva padres a exercerem ao pé-da-letra a máxima “deixai vir a mim as criancinhas”.  Há casos relatados no site da CIA em que freiras católicas, depois de usar o sabão em pó, passaram a também querer produzir o dito cujo, fazendo sabão até revirar os olhos.  A omossexualidade é um absurdo mesmo.  Há casos no site do FBI de homens cristãos de boa moral casados e omossexuais.  Depois que suas amantíssimas esposas passaram a usar o sabão em pó, eles se acostumaram a sentar na boneca, a torar a rosca, a dar o anel, talvez numa tentatica vã de manter sempre livre e limpo um local tão absurdamente sujo e anti-natural quanto é o  cu.

Os gays e sapatões também não deveriam brigar com os religiosos por isto.  Tem muito gay omossexual. Se você perguntar a maioria dos gays a sua preferência, 90% vão se dizer ativos, o que significa que também eles foram contaminados pela mania de limpeza causada pelo sabão em pó.  As sapinhas omossexuais são mais leves, uma vez que sua prática já envolve as técnicas da saboaria.  Portanto padres, arcebispos, pastores, diáconos, povinho da moral da família e dos bons costumes,  esqueçam os homossexuais  e lutem contra os omossexuais, por uma sociedade livre desta mania de limpeza que nos arrasta para a sujeira do preconceito!

DEMOCRACIA DEMAIS TAMBÉM É VENENO

 

Embora alguns me tenham como anti-patriota (coisa que muito me orgulha), cada vez mais me convenço que este território super lotado não tem jeito.  Estava assistindo a um canal destes sem futuro, quando ouvi a notícia que o PFL virou DEM.  Foi DEMais pra mim. Eu que vi estes mesmos caras desfilando pelas ruas de Areia com as bandeiras da Tradição, Família e Propriedade.  Eu que vi estes mesmos caras pondo a democracia no lixo com seus canhões e fardas da ditadura.  Eu que vi estes mesmos hipócritas matarem estudantes, jovens, mulheres grávidas, trabalhadores. Eu que vi estes mesmos doentes empunharem a bandeira da legalidade na antiga ARENA fechando o Congresso.  Eu que vi estes mesmos vampiros sugando a força do povo nas ruas quando impediram as diretas-já e levaram Maluf para o colégio eleitoral com o vendido do Tancredo Neves.  Eu que vi estes mesmos terroristas tentarem afundar o governo Lula depois de se arreganharem com o PSDB por cargos e favores.

Agora me pedem pra ter calma. Não é assim que o carro anda.  Que coisa é esta de apagar o passado?  De não falar em águas passadas? Nada disso.  Como se já não nos bastasse a democracia ser enlameada por um bando de picaretas que vendem a mãe e não entregam nas portas do Congresso Nacional, como abutres esperando alguma carcaça ser abandonada pelas feras.  Um partido virulento como o PFL que se alimenta da desgraça da população agora se auto-proclamando democratas?  Ou bem a democracia já era enquanto doutrina das liberdades, ou estamos fadados ao esquecimento como país que se dignifica de suas conquistas.  Será que Bornhausen e seus asseclas ainda acreditam que este país não passa de um território dividido em 12 capitanias gentilmente cedidas aos amigos del Rey?

Se num país tudo aquilo que simboliza o retrógrado, o passado nefasto e o presente doentio pode ser chamado de democratas, que eu fique com meu anarquismo e assim possa dormir todos os dias sem pensar que sou governado por assassinos que se auto-proclamam democratas de última hora.

ENQUANTO ISSO NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

Cheguei pra dar minhas aulinhas na UFPB no dia 8 de março.  Tudo tranqüilo, aulas preparadas, aquela coisa de sempre.  Passando pela Praça da Alegria do CCHLA, eis que me deparo com um grupo enorme de mulheres, e também alguns homens que por ali circulavam, num ritual tribal de homenagem à Deusa Gaia.

Por entre um banco de feira que vendia saias indianas e outro que vendia saias feitas por uma comunidade de mulheres sem dedos do interior do Tocatins, um grupo de mulheres vestidas de saias indianas dançavam uma dança circular que ativava os hormônios femininos e conectava as dançantes à Deusa Gaia.  À princípio eu pensei que era uma daquelas velhas e chatas homenagens à Lia de Itamaracá que todo pernambucano entoa a cada turista que chega por lá. Na verdade parecia uma ciranda, com a diferença que as mulheres dançavam com os olhos meio abuticados olhando para um ponto no centro da roda, que depois descobri ser um falo.  Todas usavam logos cabelos  e uns enfeites feitos de penas e sementes também vendidas por um índio que ouvia um ipod e não estava nem aí pras mulheres.

Um grupo de mulheres evangélicas discordando da homenagem à Deusa Gaia, começou a entoar um mantra de exorcismo, com uma pastora lendo um salmo em voz alta, num surto histérico.  As pastoras de Davi, tentaram invadir o círculo e começaram a jogar sal grosso nas mulheres de Gaia.  Um grupo de mulheres afrobrasileiras, ao perceberem que se tratava de sal grosso, se manifestou baixando várias entidades que iam desde um mãe de santo epilética até uma prostituta convertida.  As mulheres militantes de Jeová, um grupo carismático,  entoaram um grito de guerra e começaram a esbofetear tanto as mulheres de Gaia, quanto qualquer mulher que passasse por perto.  Uma militante dos Direitos Humanos levou uma cabada de vassoura de uma funcionária da limpeza ao tentar defender o direito de bater e apanhar livremente e igualitariamente.  Uma cantora lírica quase morreu eletrocutada quando uma militante da Deusa Gaia, tentando acabar com o conflito, derramou um balde com o elemento água, fazendo com que saísse do fio do microfone da cantora o elemento fogo que, em contato com o elemento ar quase colocou a cantora a sete palmos do elemento terra.  Tudo foi resolvido quando uma xamã siberiana radicada em Bayeux soprou um apito mágico, fazendo com que todos os gatos famintos do CCHLA e redondezas atacassem as mulhers no  Dia Internacional da Mulher. [continua]

contunuação

À noite, na face nobre da cidade, a Sociedade das Mulheres Amigas do Porre de Vinho – AMAPV - se reuniu com uma renomada colunista social da província para comemorar o 8 de março.  O evento contaria com a fina flor da society pessoense.  As lojas de aluguel de roupas não deram conta.  Numa casa de recepções super brega, mas tida como chique, a reunião teve início.  Após uma rodada de um vinho licoroso doce, de quinta categoria, foi proposta a exibição de um documentário em homenagem as rainhas do lar.  Antes, porém, um cantor sexagenário, cantou a música Mamãe, mamãe, de Agnaldo Thimóteo, confundindo o dia 8 de março com o dia da mães. Passado o engano e  iniciado o efeito do vinho, começou a exibição.  O filme foi trazido por um motoboy para o evento.  Sua incumbência era distribuir mais dois filmes para eventos similares: um para as senhoras do vinho, outro para as sapatões enfurecidas e o último para as velhinhas de um abrigo.  Ao começar o filme, algo saiu errado.  O motoboy trocou as encomendas e o filme e as senhoras amigas do vinho assistiram um documentário sobre kama sutra lésbico.  Além das várias posições, o DVD sugeria o swing e o sado-masoquismo como forma de quebrar a rotina do casal.  Abandonaram o vinho e passaram a cultuar o ponto G. As velhinhas do abrigo assistiram um filme sobre vinho e sexualidade e na mesma noite fugiram do abrigo e gastaram a metade da aposentaria numa boteco suspeito enchendo a cara de dreher, na falta de um branco seco.  As lésbicas enfurecidas se converteram ao islamismo depois de assistirem a um documentário sobre o sexo na velhice.

Diante de tudo isso, fiquei impressionado com a força da mulher na sociedade atual, com seus três turnos diários de trabalho, com a carga educacional das crianças, com o cuidado com os pais idosos, os maridos de porre e os filhos tiranos.  Ainda mais fiquei impressionado como estas próprias mulheres reproduzem este mesmo terrível sistema quando educam as meninas para a docilidade e os meninos pra guerra. 

Drink 8 de março:

1 champagne Veuve Clicqcot

3 morangos partidos ao meio

Tome tudo, de preferência usando sua força feminina, com aquele par que você julgar o mais perfeito.

ENQUANTO ISSO NUM RESTAURANTE NATURAL...

 

Fui a um restaurante natural a convite de uma amiga antropóloga e um amigo sociólogo. Claro que a coisa não poderia dar certo...

 

Entrei no restaurante e fui me servir.  Antes, lavar as mãos como aprendi na tenra infância.  Havia uma ante-sala de espera para os banheiros e ali um quadro de avisos com cartazes e coisas afins.  Já fiquei impressionado com aquilo.  Curso de Limpeza da Aura: limpe sua aura com o mestre Ecan em sessões de drenagem cosmotrônica.  Realinhamento dos Chacras e Renovação do DNA: alinhe seus sete chacras a partir do rebalançamento das partículas subatômicas do DNA com a mestra Haia.  Curso de Psicobiônica:  esqueça tudo que a Ciência falou sobre a mente e o cérebro.  Com o professor Satthya Barba, você poderá se conectar com a décima dimensão e entrar em contato com os seres de Capela.  Fiz os cálculos dos “investimentos”: 1480 reais.  A esta altura, eu já estava me sentindo na nave-mãe ao lado de Elba Ramalho que se conectou com os seres de luz após ser chipada em Conceição do Piancó, sertão-brabo da Paraíba, depois de passar três horas no sol quente recitando o mantra AUN.

 

Desolado, fui almoçar, enfim.  Muita coisa verde.  Muito mato.  Muitos vegetais olhando pra mim.  Algumas comidas estranhas, provavelmente oriundas de Plutão, que já não é mais planeta, mas ainda dá um caldo.  Desconfiei que não havia carne, mas fiquei calado em consideração aos meus dois amigos.  Mas depois descobri a fonte de proteína animal.  A-ha! Enfim algo concreto, gostoso, palpável, forte, substancial, energético.   Quando fui me servir de uma galinha à cabidela, vi que havia bem acima do prato um cartaz que dizia: Qualquer tipo de carne faz mal à saúde.  Este “ser fabricado” que você está vendo aí abaixo pode levá-lo à morte.  Somos contra este tipo de alimento.   Achei que era uma piada e quando fui pesar o prato, perguntei a responsável se tratava-se realmente de uma brincadeira.  Ela me olhou seriamente e me respondeu que não, ao mesmo tempo que me reprovava com um olhar fulminante por eu ter me servido da galinha, aquele “ser fabricado”.Sentei-me e comi o prato de mato com uma deliciosa galinha à cabidela que me salvou o resto da tarde.

[Continua...]

[Continuação]

 

Pude classificar os clientes daquele restaurante natural, classificação esta que pode ser usada para qualquer restaurante deste tipo:

 

1.    Fantasmas: são clientes que já morreram, mas ainda insistem em se alimentar de folhas e comidas estranhas.  São magros, pálidos, recurvados, silenciosos, mastigam mais de 50 vezes uma folha de alface, olhos esbugalhados, pele encerada, roupas indianas.

2.    Pé-na-cova:  são clientes que estão para morrer a qualquer momento, e que, por orientação médica ou espiritual, ainda insistem em se alimentar de folhas e comidas estranhas.  São magros, pálidos, recurvados, silenciosos, mastigam mais de 50 vezes uma folha de alface, olhos esbugalhados, pele encerada, roupas indianas, vivem fazendo yoga, cursos de saúde alternativa, meditação, biodança, arte-terapia e coisas que a gente faz quando desiste da vida.

3.    O-que-é-que-eu-estou-fazendo-aqui?: são clientes que estão vivos, mas insistem em se alimentar de folhas e comidas estranhas. Curiosos, politizados, alérgicos, ulcerosos ou com gastrite, professores universitários da área de humanas, jovens engajados em alguma ONG, feministas cansadas, gays alternativos e gente com algum tipo de apatia.

 

Comi, paguei e fiquei pensando numa bela torta de chocolate com morango cheio de agrotóxico.

 

Drink naturebis:

 

Suco de limão

Suco de kiwi

Hortelã

Clorofila

 

Misture tudo, tome e vire um vegetal!

 

 

Canções do amor demais

Se vivo fosse hoje, Tom Jobim estaria completando 80 anos.  Mas chega de saudades...

O legado de Jobim é muito mais do que as geniais composições que fez com inúmeros parceiros.  Para mim a sua herança é a forma solta de viver.  Jobim ao piano com o velho copo de whisky-parceiro. Jobim na farra entre amigos, improvisos, projetos, sons, ritmos. Jobim e sua brejeirice de Copacabana a Nova York.

Tenho pena deste Brasil pós 1980´s.  Uma geração que não bebe, não fuma; uma geração saúde e coisas sem-futuro do gênero.  Não bebem mas se drogam com musiquetas de laboratório tipo Limão com Mel, Babado Novo, Vixe Mainha.  Nunca ouvi tanta droga.  O LSD de Janes Joplin, a maconha de Renato Russo e Cazuza, a heroína do Queen nunca fizeram tanta falta neste mundo higienizado.  Agora a droga da vez é a bomba de academia, corpos anabolizados, músculos artificiais. 

Pra mim a grande droga mesmo é o hiper-narcisismo.  Li num jornal que encontraram uma miss universo que não tinha uma só intervenção cirúrgica!  Botox, restilane, anfitaminas, hiberáricas, lipo.   Chapinha, escova progressiva, formol.  Pô!  É muita droga permitida.  E quando se junta tudo temos a degradação total. Ele anabolizado, travestido de marcas famosas falsificadas, cabelos longos estirados.  Ela magérrima, peito siliconado, cabelo de chapinha e escova permanente, loira. Ele+ela: ingresso para o show de Aviões do Forró.  Ele não pode tocar no cabelo dela pra não desmantelar o alisamento.  Ela não pode tocar no cabelo dele pra não despentear o gel.  "Mas, Joni, quando eu lhe conheci, achei que você tinha o pinto maior...  Estava bêbada com redbull, gato?"  "Não, fia, é que eu estou tomando umas parada pro peitoral aumentar e o bilau diminuiu um pouco..."  Vê-se um progresso neste diálogo. Talvez os rapazes estejam superando aquele velho problema masculino do tamanho do documento.  Afinal o pinto não aparece tanto quanto os bíceps ou o peitoral.  E talvez eles nem precisem mesmo de pênis e vaginas funcionando a pleno vapor, pois na maioria das mesas os casais nem se falam na ânsia de atender a ligações de seus modernos celulares.  A transa é o espelho da academia ou o espelho do salão de beleza.

Saudades de Tom, seus whiskies, seu charuto.  Saudades de Vinícius, suas bebedeiras que nos trouxeram as mais lindas canções de amor.  Saudade de Elis, de gente que chora sem se preocupar com a maquiagem e com os vizinhos. 

Menos fest-verão e mais samba-canção!

Sobre amor e restos mortais

 

"Eu te amo e por isso não necessito de ti.  Tu me amas e por isso não necessitas de mim.  Somos, assim, deliciosamente, desnecessários!"

(Roberto Freire, analista).

 

 

Revirando meus papéis pra início de semestre, encontrei esta frase do somaterapeuta Roberto Freire em seu maravilhoso livro Ame e dê vexame. Sei que se trata de um amor anarquista e também sei que as palavras amor e anarquismo em tempos modernos de amor romântico não combinam em nada.

 

O amor romântico é uma das mais cruéis invenções dos modernos.  Ele é masculino, pesado, sobrepõe desejos e define duas posições pré-determinadas: o amor-dominante, aquele que manda, escolhe, define, conduz, e o amor-dominado, aquele que é passivo, que obedece, que se deixa levar.  As maioria das provas de amor vão neste sentido. “Tire esta saia em nome do nosso amor”, “Tire esta bermuda que eu quero você sério”.  Letras de música, poesias, uma vasta literatura em prosa reforçam a cada dia esta idéia, o que não tem nada a ver com homem e mulher.  Muitas vezes é a mulher que exerce o papel de amante-dominante.  “Se você deixar de beber todas as quartas com seus amigos eu prometo ser uma esposa mais dedicada à casa...”

 

No Brasil, uma forma de amor romântico é mais perversa que as demais: os amores das telenovelas.   Nestas, amar é sinônimo de sofrer.  Quanto maior a dor, melhor o final feliz.  Como parte da cultura nacional, as pessoas vão lidando com este discurso de maneira natural, acreditando que o que as novelas propagam é o verdadeiro e único amor. Amor dicotômico.  Os bons sofrem, mas vão ser recompensados no final da trama. Nisto o escritor Manoel Carlos é bamba.  Ele e suas Helenas babacas.  Manoel Carlos conseguiu superar a noção de Amélia (aquilo sim é que era mulher...) para a noção de Helena.  E Regina Duarte, a namoradinha sexagenária do Brasil, ainda consegue traduzir com aquela fala mansa, aquele jeito adocicado com aspartame, 100% artificial, irritante.  O capítulo termina e os depoimentos corroboram este estranho verbo amar-possuir.

 

O amor para a maioria das  pessoas funciona como uma pipa.  Uns controlam a pipa com pouca corda.  Outros soltam mais a pipa, com mais corda, a deixando voar mais alto.  Mas ambos a controlam. Para mim o amor é balão.  Eu preparo no solo, o inflo e o solto no ar.  Sem amarras.  Gosto de ver a amor voar, apenas.  Se ele achar que o vôo é bom e nunca mais quiser voltar, é uma questão dele.  Mas eu não posso, por amar demais, colocar amarras e controlar seu vôo.  Assim é pipa, não é balão.  O amor é generoso, se desliga.

 

Que tal desligar a TV e amar demasiadamente cultivando a liberdade dos sonhos compartilhados e dos desejos libertos?

 

 

Shows de Verão

 

Muitos shows acontecendo na cidade neste verão.  No centro e na praia, multidões acompanham os artistas locais e nacionais.  Fui ver Egberto Gismonti no centro histórico.  Imitando Caetano, ele deu um piti por causa do som e do barulho do local.  Estranho, né?  Sempre achei que um artista como Egberto Gismonti, um dos maiores instrumentistas nacionais, deveria se apresentar num local acústico, de boa qualidade e não num local montado para bandas de rock.  Deve ser minha aristocracia falida que me leva a pensar assim.  Depois, já na praia fui ver outro artista nacional: Arnaldo Antunes.  Que coisa mais chata!  Uma voz horrorosa.  Ele bem que poderia ficar só compondo pros tribalistas e me poupar daquela voz sem futuro. 

 

Tá bom, tá bom, vamos assistir Marisa Monte.  Entrei num shopping center em pleno sábado e vi milhares de pessoas escrevendo algo em vários locais.  Pensei:  que legal, que virada!  Finalmente a população que freqüenta shoppings está ficando culta e escrevendo.  Decepção.  Estavam desesperadamente escrevendo seus nomes e alguns cupons para ganharem um carro importado.  Mais difícil que ganhar na Mega Sena.  Após alguns empurrões nos corredores, cheguei à loja que vendia os ingressos pro show de Marisa Monte.  Achei muito barato.  Finalmente a cultura da MPB acessível a muita gente.  Depois de algumas escoriações leves e muitos gritos, consegui sair do shopping vivo.  Fui almoçar num famoso restaurante daqui e fiquei impressionado com a barulheira.  O povo berrava enquanto comia.  Sei que estou ficando velho e  abusado, mas a noite iria compensar.

 

O show estava marcado para às 8 horas.  Cheguei bem antes e vi que a coisa iria ferver mesmo.  Muita gente.  Como eu pensei: a cultura se democratizando...  Quando entrei no Espaço Cultural, vi que a coisa era bem diferente.  Um grande retângulo tomava a maior parte do espaço da Praça do Povo (hahahahahaha).  Opa!  Algo estava errado.  Era o espaço destinado a quem tinha comprado mesas.  Nada contra quem quer assistir ao show sentado, mas tudo contra à diferença entre os espaços de quem estava sentado e quem estava em pé.  Mas é claro... Aqueles que estavam em pé puderam comprar meia entrada, mas quem estava nas mesas, não teve como se beneficiar da lei que garante este direito.  Agora se sabe exatamente como burlar uma lei, coisa por sinal bem peculiar a uma elitezinha que não suporta se incomodada por gente como eu, gente como você, leitor, fã de Marisa Monte.  Ficaram lá sentados, muitos sem cantar nada, pois nem sabiam por que estavam naquele show.  Foram pelo mero status (huahuahua) de noutro dia dizerem que estavam no show de Marisa Monte. 

 

Ainda incitei algumas pessoas a pularem a cerca e prestigiar a cantora de pertinho.  Mas quando os produtores do show viram que aquilo poderia realmente acontecer, liberam o primeiro piso do Espaço Cultural e a galera correu pra ver a cantora de perto.  Invasões bárbaras no camarote VIP (Vultos Imensamente Pobres).  Agora já se sabe como burlar a lei.  Ou shows no Paço dos Leões (pobres nem ousem!) ou privatização do Espaço Cultural.  Lembro-me do show de Rita Lee, que fizeram a mesma palhaçada e a própria Rita, louca como é, pediu que as pessoas pulassem a cerca e se chegassem mais a ela.  Idem no show de Milton Nascimento.   É claro que se pode colocar mesas para aqueles que realmente desejarem mais conforto.  O que não se pode é ocupar 60% do espaço popular da praça com as mesas! 

 

Que pena que nossa passividade seja confundida com docilidade.  Na verdade nossa docilidade é falta de cidadania, falta de coragem pra avançar numa democracia que permita que aqueles que têm direito à meia entrada o exerçam plenamente.  Aliás, vamos imitar Pernambuco e fazer valer a meia entrada também para professores, agentes disseminadores da cultura, uma vez quando têm acesso e esta!

 

 

Enquanto isso num Reveillon fora-de-época

Na virada de 2006 para 2007 não pulei ondinhas, não chupei uvas, não me vesti de branco, não fiz pôrra nenhuma.  Mas fui pra praia ver os fogos do ano novo.  Por volta das 11:50 o mestre de cerimônias da festa avisou que os fogos tinham sido roubados.  Fazer o quê, né?

Mas logo, logo começaram os rumores.  A oposição era o grupo mais suspeito.  Mas vamos ao que interessa mesmo.  Às 15:45 do dia 31 de janeiro de 2006, uma estranha embarcação foi vista se aproximando de picãozinho.  Era um submarino com as cores vermelho e preto e um estranho nome nas laterais: NEGO.  Muitos turistas pensaram que era um submarino da torcida do Flamengo.  O movimento negro, por sua vez, imaginou que era uma forma de protesto, de chamar a atenção para sua causa.  Alguns recifenses de passagem em João Pessoa, acostumados com banhos de mar de alto risco em Boa Viagem e Piedade, pensaram se tratar de um tubarão pernambucano com a camisa do Sport.    A Capitania dos Portos foi acionada pela FUNJOPE, que a esta altura já suspeitava que toda a equipe da oposição estava ameaçando o brilho da festa.

Algumas senhoras de famílias tradicionais de Tambaú chegaram a suspeitar de Odete Roitman aliada a Marta da novela Páginas da Vida.  As senhoras da Igreja Vem pra Cristo, Galera juntamente com as Sociedade Feminina de Bebedoras de Vinho Doce colocaram a culpa em Iemanjá, deusa pagã que circula por estas bandas todo final de ano. Sem fogos e com Zeca Baleiro tentando cantar algo de futuro a  festa aconteceu. 

 

Eis que uma semana após as festividades, se anuncia que uma nova queima de fogos iria acontecer antes da apocalipse anunciada por Zé Ramalho ressuscitando temas do século passado.  Uma grande equipe da FUNJOPE passou a semana fazendo um curso de mergulho submarino e Jiu-Jitso subaquático.  Pit Bull ferozes acompanhavam os treinos nadando ao redor da balsa dos fogos.  312 homens-rãs, 21 escafandristas e 10 wave-skiadores comandados pelo atleta campeão de remo André Beltrão passaram 24 horas vigiando a balsa, temendo um novo ataque do submarino suspeito.  Um helicóptero da Aeronáutica fazia rondas a cada duas horas.  O batalhão de choque cercou a praia não deixando ninguém se aproximar do Bucho de Tamandaré. Deu tudo certo e às 22 horas o céu se coloriu numa explosão de cores e formas, inaugurando o Mikaillon – Reveillon fora-de-época – de João Pessoa.

 

Drink Mikaillon:

 

1 copo de cidra de 5 real

1 meiota

1 engov

1 lactopurga

Misture tudo e feliz 2007!

 

 

 




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